Homem que é homem não agride. Nem nos estádios.

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Homem que é homem não agride. Nem nos estádios.

A representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, comentou sobre a violência praticada pelos homens nos estádios de futebol e sua relação com os estereótipos machistas em artigo publicado no Terra Magazine.

Confira:

ONU Mulheres: Homem que é homem não agride. Nem nos estádios.

Por Nadine Gasman.

Flamengo, Cruzeiro, Fluminense, Bahia, Atlético Paranaense e Vasco foram os primeiros times do futebol brasileiro a apoiar a iniciativa “O Valente não é Violento” (www.ovalentenaoeviolento.org.br), que faz parte da campanha do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, UNA-SE Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, é coordenada pela ONU Mulheres e conta com o apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República. No último fim de semana, durante os jogos da 38ª rodada do campeonato brasileiro, os times entraram em campo com uma faixa com os dizeres: “O valente não é violento com as mulheres”.

Quando os jogadores do Vasco entraram em campo levando a faixa, o locutor da TV Globo Luís Roberto anunciou e destacou a iniciativa. Quinze minutos depois, as torcidas de Atlético Paranaense e Vasco protagonizaram um espetáculo de violência, em uma verdadeira batalha campal nas arquibancadas da Arena Joinville. As imagens da briga entre os torcedores, transmitidas ao vivo pela TV, chocaram todo o país, tamanha a brutalidade das agressões.

Ter entrado em campo com uma mensagem de não violência e testemunhar uma selvageria daquelas minutos depois poderia ser considerada uma infeliz coincidência, mas não é. Esta foi apenas mais uma prova, das inúmeras que aparecem no cotidiano de todos os brasileiros, de que precisamos mudar radicalmente nossos conceitos sobre o que imaginamos como homens fortes, corajosos e valentes.

No Brasil os estereótipos de gênero, ou seja, aqueles que definem quais papéis homens e mulheres “devem” representar, ainda associam a violência à masculinidade. Infelizmente, percebemos das piores formas, como no jogo entre Vasco e Atlético Paranaense, que estes padrões machistas representam um grande perigo não somente para mulheres e meninas, mas também para os próprios homens.

Um homem valente pode ser forte, viril e corajoso, mas não é violento. Jamais agride mulheres, meninas, não pressiona meninos a imitar padrões de comportamento machistas e não agride outros homens. 

Por isso a campanha da ONU se torna ainda mais importante. É fundamental educar as pessoas para mudar esses padrões. Um homem valente de verdade é contra todo e qualquer tipo de violência e a favor de um mundo de paz.


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