16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres

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16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres

O Valente não é Violento convidou alguns blogs a postarem conteúdos abordando as diversas masculinidades, as transformações dos estereótipos de gênero e o fim da violência contra as mulheres.

Confira abaixo o texto Patrícia Martins de Andrade, para o blog do site YBR.

Você também pode acessar o post no link original: http://ybr-coaching.com/16-dias-de-ativismo-pelo-fim-da-violencia-contra-as-mulheres-2/

 

16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres
Por Patrícia Martins de Andrade

 

No dia 25 de novembro teve início a campanha de 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, lançada pelo UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres, do secretário-geral das Nações Unidas que finaliza hoje, 10 de dezembro.

1 em cada 3 mulheres será estuprada, agredida ou abusada física ou sexualmente em sua vida. De todas as violações de direitos humanos que afetam as mulheres no mundo, a violência contra as mulheres é um dos mais difundidos.

A violência contra a mulher, porém, vais mais além. Além dos aspectos físicos, ela também envolve as agressões morais e psicológicas. Apesar de toda evolução assistida durante o último século, além de recente, as mudanças ainda não trouxeram à mulher a condição necessária ao exercício dos seus diversos papéis.

Neste contexto aconteceu em São Paulo nos dias 26 e 27 o 3º Fórum Mulheres em Destaque, onde se discutiu fortemente as barreiras à ascensão das mulheres na carreira corporativa. Afinal os números das pesquisas divergem ligeiramente, mas apontam para a mesma realidade: cerca de 59% dos formandos são mulheres, 43% entram para o mercado corporativo e apenas 8% chegam a cargos de Conselho.

O que acontece com a mulher nesse caminho, para que aconteça um funil assim tão brutal? Com certeza não é falta de conhecimento ou competência.

Uma das grandes causas apontadas para isso é o fato de a mulher possuir prioridades diferentes das do homem, em que a família vem em primeiro lugar. Essa prioridade se choca com o modelo de performance “qualquer dia, qualquer lugar”. O modelo onde quem trabalha 12, 14 horas por dia é que tem sucesso afasta as mulheres da concorrência pelas posições.

A dupla jornada, que na verdade acaba por se tornar tripla, já que a mulher deseja ser a melhor mãe, a melhor profissional e a melhor esposa, causa grande sofrimento pela impossibilidade de obtenção desses resultados.

A respeito deste tema, Rosinska Darcy Oliveira, eleita imortal pela ABL em 2013, fala sobre o pacto que sua geração fez para poder ir trabalhar nos anos 60/70, já que naquela época “ganhar a vida” significava ganhar o seu sustento. Nesse pacto, as mulheres prometiam que iriam sair para trabalhar, mas nada mudaria na casa. Quando o marido chegasse, a comida estaria pronta, a casa limpa, a roupa lavada e passada, as crianças cuidadas e saudáveis. Hoje Rosinska entende que “ganhar a vida” significa trazer a vida de volta, já que esta a que a mulher se propôs é impossível.

As mulheres pagam esse preço até hoje. Pesquisa mostrada pela Revista Cláudia no evento mostra que uma mulher sozinha gasta cerca de 18 horas por semana em tarefas domésticas. Quando ela se casa, esse número cresce para cerca de 27 horas por semana. E um filho acrescenta apenas mais 3 horas por semana à rotina!

E qual o resultado de tudo isso?

Segundo pesquisa da OMINT realizada com um grupo de mulheres executivas, a saúde da mulher está se deteriorando rapidamente. No grupo pesquisado, 33% revelam presença de stress, 11% de tabagismo, 41% de sedentarismo e 94% de má alimentação, levando a aumento de diabetes, cardiopatias, pressão alta, depressão, etc.

Ou seja, mais mulheres estão sofrendo e até morrendo em função dessas demandas da vida moderna, em que não há equilíbrio entre os genêros.
Mas a economia moderna não pode prescindir do trabalho das mulheres. Fala-se de um déficit potencial de 40 milhões de posições qualificadas no mercado de trabalho. Quem será capaz de preenchê-las?

Urgem políticas para acelerar a ascensão das mulheres no mercado, com salários iguais aos dos homens. Mas também urgem as mudanças culturais para que a mulher não seja obrigada a desempenhar com excelência todos esses papéis. Afinal, não é essa também uma forma de violência que se perpetua durante toda a vida?

 


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